Sobre o HTLV

GUIA DE MANEJO CLÍNICO DA INFECÇÃO PELO HTLV – Disponibilizado em PDF para download.

HTLV manual definitivo_revisado sem marcas FINAL diagramado – 31-01-2014

HTLV é uma sigla (do inglês Human T-cell Lymphotropic vírus) usada para designar o vírus linfotrópico humano para células T (um tipo de linfócito importante para defesa do organismo). É um vírus, visível somente em microscópios muito potentes (microscópios eletrônicos), que parasita determinadas células do sistema imunológico humano denominadas linfócitos T. Existem basicamente dois tipos de HTLV ( HTLV-1 e o HTLV-2). É da mesma família do HIV, ou seja, são parecidos no sentido de que são retrovírus (vírus RNA que usam uma enzima chamada transcriptase reversa para transformar seu RNA em DNA e desta forma se inserir no DNA da célula de seu hospedeiro – o portador). O HTLV I pode causar doenças (as chamadas doenças associadas), já o HTLV II quase nunca causa qualquer dano ao organismo.

O vírus HTLV I foi isolado em 1980 de um paciente com linfoma cutâneo de células T. Inicialmente foi associado com a leucemia de células T do adulto (ATL) no Japão em 1997, sendo depois encontrado em diversas partes do mundo.

O vírus HTLV II foi identificado em 1982, numa linhagem contínua de células T obtidas de um paciente com tricoleucemia (neoplasia de células B. As células B são um tipo de linfócito que constituem o sistema imune)

Contágio: Sexo sem preservativo; Aleitamento materno; Durante a gravidez (mãe para bebê); Durante o parto (mãe para bebê); Compartilhamento de seringas e agulhas contaminadas; Transfusão de sangue contaminado; Doação de órgãos contaminados.

Sintomas: Problemas para controlar a urina; quedas frequentes, rigidez dos músculos das pernas; prisão de ventre; pele muito seca; dormências, formigamentos e dores nas pernas e nos pés. Dentre outros que estão ligados as doenças associadas.

Tratamento: Não há cura e/ou coquetel de medicamentos. O tratamento é feito após avaliação para a doença desenvolvida pelo paciente, para que ele tenha qualidade de vida. Esse tratamento não faz com que os sintomas regridam, apenas que eles estacionem e não evoluam.

RESUMO TÉCNICO

HTLV I e II –  O Vírus, sua multiplicação e estrutura genômica.

O vírus linfotrópico de célula T humana (HTLV I – Human T cell lymphotropic vírus 1) foi o primeiro retrovírus humano descrito. O Vírus foi inicialmente associado com a leucemia de células T do adulto (ATL) no Japão em 1997, sendo depois encontrado em diversas partes do mundo. Foi isolado em 1980 de um paciente com linfoma cutâneo de células T (Poiez et al, 1980). Posteriormente, o vírus foi associado com as doenças neurológicas paraparesia espástica tropical (TSP) e mielopatia associada ao HTLV (HAM), que, por ter sido verificado se tratar de uma entidade nosológica, hoje é conhecida como HAM/TSP.

O HTLV II (vírus linfotrópico de células T humana 2 – Human T lymphotropic vírus 2) foi identificado em 1982, numa linhagem contínua de células T obtidas de um paciente com tricoleucemia (leucemia de células pilosas), e apresenta diferenças antigênicas em relação ao HTLV I (Kalyanaraman et al, 1982). Este vírus foi associado a raros casos neurológicos.

Erna Geessien Kroon; Kristien Verdonk; Anna Bárbara de F. Carneiro Proietti

Durante as três últimas décadas, ficou claro que o HTLV I pode causar diversas complicações clínicas. Estas doenças associadas podem ser classificadas em três grupos: (1) doenças malignas (leucemia e linfoma de células T cutâneo); (2) síndromes inflamatórias (HAM/TSP, uveíte, síndrome do olho seco e artrite); e (3) complicações infecciosas (estrongiloidíase, dermatite infecciosa, sarna e tuberculose, entre outras). No entanto, a maioria dos portadores de HTLV I (até 90%) permanece assintomática. (Verdonck K. ET al, 2007; Desailloud R. e Hober D, 2009; Merle H. ET al, 2002; Gilbert DT ET al, 2001; Steinfort DP et al, 2008).

Fonte:  Caderno Hemominas; HTLV; vol. XV; 5ª ed. Atualizada e aumentada; BH 2010

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