Vírus linfotrópico de células T humanas 1 e 2 entre pessoas que usaram drogas ilícitas no estado do Pará, norte do Brasil.

Nossos sinceros agradecimentos ao Dr. Antonio Carlos Rosário Vallinoto, BSc, PhD pelo envio do resumo abaixo.

As pessoas que usam drogas ilícitas (UD) constituem um importante grupo populacional para aquisição e dispersão de vírus, resultado de comportamentos de risco executados, como sexo desprotegido, múltiplos parceiros sexuais, uso de drogas ilícitas, uso compartilhado de equipamentos para consumo de drogas, etc. No Brasil, número elevados de casos de pessoas com vírus linfotrópico de células T humanas 1 (HTLV-1) e 2 (HTLV-2) já foram relatados em estudos epidemiológicos. No entanto, o cenário epidemiológico das infecções por HTLV-1/2 em UD ainda é pouco conhecido. Desse modo, este estudo determinou o número de infecções pelo HTLV-1/2, a frequência dos subtipos virais e os fatores associados a essas infecções entre UD no estado brasileiro do Pará, uma área considerada endêmica do HTLV-1/2 e com necessidade de aperfeiçoamento dos serviços de saúde. Por meio do apoio de pessoas de referência (professores, agentes comunitários de saúde, religiosos, líderes comunitários, ativistas sociais, etc.) em 28 municípios do Pará, os UD e suas respectivas famílias foram acessadas e convidadas a participar deste estudo. Paulatinamente, outros UD foram convidados, incluídos e ajudaram na divulgação do estudo nessa população de vulneráveis. Todos UD foram testados quanto a presença de anticorpos anti-HTLV-1/2 e os resultados positivos foram confirmados por PCR (identificação do DNA). As amostras de DNA do HTLV-1/2 foram submetidas ao sequenciamento de nucleotídeos e, a partir daí, foram comparadas com outras sequências de nucleotídeos do HTLV-1/2 identificadas em estudos realizados em diversos países e grupos populacionais. Os fatores associados às infecções pelo HTLV-1/2 foram estabelecidos por análise estatística (análises bivariada e multivariada). No total, 826 UD participaram deste estudo. A maioria deles era homens, jovens, solteiros, com até 10 anos de estudo, renda mensal baixa, heterossexuais e realizava uso frequente de drogas não injetáveis. O crack foi a principal droga utilizada nos últimos 12 meses. Porém, alguns UD (n = 111, 13,4%) relataram ter utilizado, pelo menos uma vez na vida, droga injetável. A análise de características/comportamentos entre os subgrupos constituídos por pessoas que usaram apenas drogas não injetáveis (UDNI) e aquelas que usavam drogas injetáveis e não injetáveis (UDI) apresentou diferenças, como: idade, renda mensal, principal droga utilizada, frequência e período de uso de drogas, etc. Em 826 UD, 53 (6,4%) apresentaram anticorpos anti-HTLV-1/2 e 44 (5,3%) tinham DNA proviral. HTLV-1 e HTLV-2 foram detectados em 25 (3,0%) e 19 (2,3%) UD, respectivamente. Todos UD infectados com HTLV-1/2 eram portadores assintomáticos; consequentemente, nenhum deles estava sob supervisão médica. Todos os UD infectados por HTLV não tinham conhecimento de sua condição até a participação deste estudo, eles foram aconselhados e encaminhados para avaliação e monitoramento na rede pública de saúde. Os subtipos 1a (25/44) (subgrupos transcontinental (23/44) e japonês (2/44)), 2b (6/44) e 2c (13/44) foram identificados. Os fatores associados às infecções pelo HTLV-1/2 foram: envolvimento em atividades ilícitas/criminosas nos últimos 12 meses, uso diário de drogas ilícitas nos últimos 12 meses, uso de drogas por mais de 12 anos, sexo desprotegido com outro UD nos últimos 12 meses, alterações nas genitálias (incluindo úlceras e feridas) nos últimos 12 meses, e mais de 12 parceiros sexuais nos últimos 12 meses. Em suma, este estudo é único em reunir fatores epidemiológicos, comportamentais e genéticos para transmissão do HTLV-1/2 na região norte do Brasil. Uma elevada prevalência de HTLV-1/2 em UD no estado do Pará foi detectada, com predominância distinta em UDNI e IDU. Os comportamentos sexuais de risco contribuíram significativamente para a aquisição e disseminação do vírus nessa população vulnerável e também na população em geral. A ineficiência do sistema de saúde torna o cenário epidemiológico ainda mais preocupante, pois é urgente a implementação de ações de controle, prevenção e tratamento das pessoas infectadas pelo HTLV.

Palavras-chaves: Epidemiologia, HTLV, fatores de risco, Infecção viral.

Aldemir B. Oliveira-Filho, Ana Paula S. Araújo, Andreia Polliana C. Souza, Camila M. Gomes, Gláucia C. Silva-Oliveira, Luísa C. Martins, Benedikt Fischer, Luiz Fernando A. Machado, Antonio Carlos R. Vallinoto, Ricardo Ishak, José Alexandre R. Lemos, Emil Kupek. Human T-lymphotropic virus 1 and 2 among people who used illicit drugs in the state of Pará, northern Brazil. Scientific Reports. 2019; 9:14750. DOI: https://doi.org/10.1038/s41598-019-51383-7

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