Método não invasivo para a detecção de anticorpos para HTLV-1/2 usando saliva

Agradecemos a pesquisadora Dra. Carolina Rosadas, por nos enviar uma resenha em português, do seu trabalho que foi publicado em uma revista científica.

Método não invasivo para a detecção de anticorpos para HTLV-1/2 usando saliva
Woo T*, Rosadas C*, Ijaz S, Dicks S, Tosswill JHC, Tedder RS Taylor GP.
Non-invasive Detection of Antibodies to Human T-lymphotropic Viruses 1 and 2 using Oral Fluid.
Estima-se que o HTLV-1 infecte aproximadamente 5-10 milhões de indivíduos no mundo. No entanto, estes números são considerados subestimados, em parte devido a falta de estudos populacionais em diferentes regiões do mundo. O diagnóstico da infecção pelo HTLV-1/2 é realizado através de exames de sangue (testes de triagem, seguidos de testes confirmatórios). A coleta de sangue é um método invasivo e, muitas vezes, considerado inaceitável por certas comunidades. Isto dificulta o desenvolvimento de pesquisas sobre a distribuição da infecção no mundo.
Neste estudo foi desenvolvido um teste laboratorial de triagem para a detecção de anticorpos específicos para HTLV-1/2 em saliva. Cem pacientes com diagnóstico de HTLV-1/2 confirmado por Western Blot, atendidos no “National Centre for Human Retrovirology”, no St Mary’s Hospital na Inglaterra doaram um total de 131 amostras de saliva e sangue. Como controle, foram incluídas amostras de sangue e saliva de 13 indivíduos não infectados. Além disso, o Public Health England doou 50 amostras de saliva de indivíduos com baixo risco de infeção pelo HTLV-1/2. O teste laboratorial desenvolvido foi capaz de identificar corretamente todas as amostras positivas e negativas. Além disso, a reatividade na saliva (S/CO) apresentou alta correlação com o plasma.
Com o objetivo de verificar a estabilidade do teste em condições ambientais desfavoráveis, amostras de indivíduos infectados foram submetidas a diferentes temperaturas (3°C, temperatura ambiente, 37°C, e 45°C) por 1 dia e por 7 dias (3°C e 45°C). Essas condições não afetaram os resultados obtidos de forma significativa, indicando que as amostras de saliva se mantêm estáveis em condições similares aquelas possivelmente vivenciadas em um estudo de campo. Amostras submetidas a sucessivos ciclos de congelamento/descongelamento (5x e 10x) e amostras coletadas dos mesmos indivíduos em diferentes momentos (em média 3 meses entre as coletas) também não apresentaram alteração significativa na reatividade.
Como a coleta de saliva é rápida (pode ser feita pelo próprio paciente), segura e bem tolerada, ela pode ser uma boa alternativa para a coleta de sangue. Assim, o teste desenvolvido pode facilitar estudos populacionais, principalmente em populações nas quais a coleta de sangue é considerada difícil, como as localizadas em área de difícil acesso, população indígena e pacientes pediátricos.
Como uma próxima etapa, pretendemos validar o teste avaliando um número maior de indivíduos em áreas endêmicas para o HTLV-1.

Mais informações: https://jcm.asm.org/content/early/2019/10/03/JCM.01179-19
g.p.taylor@imperial.ac.uk, crosadas@imperial.ac.uk

This entry was posted in Cientifico, Comunicado, Informativo. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *