CONSIDERAÇÕES SOBRE O DST 10 – AIDS 6 – X CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DST – VI CONGRESSO BRASILEIRO DE AIDS

O Congresso foi bastante dinâmico. Vários foram os temas relacionados às DSTs e ISTs, tendo suas salas com plenária cheia.

A vontade era de participar de todas as palestras, mas isso foi impossível por causa dos horários.

A Palestra sobre a Transmissão Vertical das DST/HIV e Hepatites Virais foi interativa e muito dinâmica. Foi um teste de conhecimentos para plenária, com o velho método de pergunta com respostas de múltipla escolha. Mesmo não sendo profissional de saúde, por experiência, acertei 90% das perguntas. Óbvio que copiei as apresentações para multiplicar as informações para vocês. Às vezes, por falta de um procedimento simples e básico, um obstetra coloca em risco a saúde da gestante e do bebê. Muito comum quando se trata de Sífilis, HPV e Clamídia.

A aula sobre Conceito de Vulnerabilidade foi excelente!! Normalmente as pessoas têm uma ideia engessada sobre vulnerabilidade que podem levar o indivíduo ao adoecimento. Existem três condições de vulnerabilidades: Individual, Social e Programática.

Pequeno resumo: Individual – refere-se ao grau e a qualidade da informação que cada indivíduo dispõe sobre DST/AIDS;

Social – diz respeito a um conjunto de fatores sociais que determinam o acesso a informações, serviços, bens culturais, etc.;

Programática – relaciona-se às ações que o poder público, iniciativa privada e OSC empreendem, ou não, no sentido de diminuir as chances de ocorrência das enfermidades.

Sobre Manifestações Dermatológicas, nada foi dito com relação ao HTLV. Enquanto portadora e representante dos portadores do vírus HTLV, me vi na obrigação de perguntar sobre tratamento da Dermatite Seborreica Infecciosa, causada pelo HTLV. Não foi surpresa quando, os três palestrantes, me disseram desconhecer doenças dermatológicas causadas pelo HTLV, seguido de um discreto pedido de desculpas.

Uma observação bastante pertinente foi feita pelo Dr. Ricardo Shiratsu. O uso contínuo de sabonetes cremosos que tenham em sua composição hidratante e muito perfume deixam resíduos nas áreas genitais que, com o passar do tempo, podem causar irritação na pele e favorecer alguma IST, principalmente nos homens. O correto é usar sabonete neutro, tipo o de glicerina, nessas áreas tão delicadas. Ele também deixou bem claro que a higiene íntima é fundamental e extremamente necessária como medida de prevenção.

É incrível a quantidade de ISTs e os danos causados por elas! Algumas são de fácil tratamento, mas se o indivíduo for portador de HIV, a situação fica bastante complicada.

Muito se falou sobre as Hepatites Virais, HIV e coinfecções, mas a Sífilis e o HPV, foi tema comum em todas as palestras. Em pleno século XXI, a Sífilis ainda é a grande vilã da época. É silenciosa, parece inofensiva, se esconde por um longo tempo mas, quando aparece, faz um grande estrago. Que sirva de alerta para essa nossa juventude que acha que a penicilina resolve tudo. Não é assim tão simples!!!

Sobre o HTLV: foi a primeira vez que o tema HTLV teve um espaço tão longo dentro de um Congresso de DST!! Foram três horas de palestras e muitas perguntas. A sala ficou lotada e havia fila de espera no corredor. Médicos, estudantes universitários e profissionais de saúde, queriam saber mais sobre o HTLV. Posso dizer com propriedade, que o trabalho de divulgação que temos feito nos últimos dez anos, não tem sido em vão. Estamos ganhando espaço, “marcando território”, aguçando a curiosidade das pessoas, mostrando os danos causados pelo HTLV e a sua total falta de amparo.

Em sua apresentação na abertura do Congresso, o Dr. Fábio Mesquita nos falou sobre o que o Departamento de DST/AIDS e HV, tem feito com relação às ações para implantar o teste de HTLV no pré-natal.  Segundo ele, estudos estão sendo feitos para saber qual a melhor forma de testagem a ser adotada. Abaixo, tópicos da apresentação.

HTLV

  • Fizemos junto a OPAS uma revisão bibliográfica (89 trabalhos avaliados) de procedimentos de diagnóstico para prevenir a transmissão vertical, e o consenso é ainda complexo.
  • Até hoje NENHUM país do mundo implantou este procedimento de exame confirmatório pós  2 ELISA no pré natal.
  • O Estado da Califórnia nos EUA tem o único guidelines global no tema, com a proposta de uso de 2 ELISA, seguido de Imunofluorescência direta, seguido de Western Blot, seguido de radioimuno precipitação (RIPA).
  • Seguimos discutindo com a CONITEC, com o CONASS, com o CONASEMS, com especialistas e a sociedade civil uma forma racional de avançar nesta discussão.   

Que venham outros Congressos e que o HTLV sempre faça parte da programação, não só como uma rápida palestra, mas sim como pauta para debates, oficinas e um banho de informações.

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