REFLEXÃO

Olá amigos!

Talvez eu esteja sendo muito radical em meus questionamentos. Talvez eu esteja coberta de razão e, até o presente momento, me “fiz de morta” para observar melhor o que tem acontecido.

Estou há 10 anos no ativismo da causa HTLV. No início precisei da ajuda de uma grande amiga, para me ensinar “o caminho das pedras”, a diferença entre militância e ativismo, em quem confiar, a quem pedir apoio e como conquistar o respeito das pessoas.

Tem sido uma longa e dura caminhada. Poucos são os avanços, mas estamos avançando. Muitos ainda são os desafios, mas não desisto fácil. Uma vez uma pessoa disse-me que eu era resiliente, com um tom um pouco pejorativo, mas considerei como um elogio e afirmo que sou sim, resiliente!

Conquistei muitos amigos e parcerias, mas como tudo tem um preço, também sei que não sou bem vinda em alguns espaços, pois tenho o péssimo defeito de cobrar posturas e remover “máscaras”. Se bem que, atualmente, estou mais moderada.

Mas, como nada é perfeito e nem tudo dura para sempre, diante dos últimos acontecimentos, sinto-me na obrigação de esclarecer a todos vocês o que tem acontecido.

O nome do Grupo Vitamóre, incluindo fotos e logomarca, foi usado em uma campanha na Alemanha para angariar fundos para nossa causa. Segundo informações recebidas, foram arrecadados 4.000 Euros que nunca chegaram à conta bancária da Vitamóre. Vários foram os e-mails que mandei para a pessoa responsável pelo evento, mas nenhuma resposta recebi. (cartaz da campanha ao final do texto)

Outra situação desagradável, que vem acontecendo com frequência, é o “súbito” interesse de alguns estudantes e até mesmo médicos, que participam dos Congressos que abordam o tema HTLV. Mas assim como ele surge, vai embora….  É tão rápido que nem chega a passar da área de embarque dos voos de volta para suas cidades de origem.

Durante os Congressos, todos me procuram, me fazem perguntas, parabenizam o Grupo pelo nosso trabalho, me convidam para dar palestras ou ajudar a mobilizar portadores para formarem uma Associação, em seus Estados ou Cidades. Representantes de políticos, que sempre se fazem presentes, também fazem promessas, dizem que estão sensibilizados, se dizem indignados pela falta de políticas públicas e……….nada acontece.

Quando os eventos terminam, meu estoque de cartões de visita e folhetos informativos, também acabam e eu tenho que ficar escrevendo meu e-mail e telefones em papel improvisado. Até em guardanapo eu já escrevi, tamanho era o interesse da pessoa.

Aí vocês vão me perguntar: “qual foi o resultado de tanto interesse?”

Infelizmente, nenhum!!! Com a exceção de Belo Horizonte, Salvador e São Paulo, ninguém mais me enviou qualquer tipo de convite ou tocou no assunto que foi conversado. Para que vocês entendam melhor, nesses Congressos participam representantes do Oiapoque ao Chuí, e apenas três Capitais realmente levam nosso trabalho a sério.

Eu estou cansada disso tudo, de alimentar falsas esperanças, de acreditar que as pessoas realmente estão interessadas em nosso trabalho, que vão semear a sementinha que entregamos para cada um deles. Na verdade, tudo não passa de curiosidade passageira.

São poucos os profissionais de saúde/amigos/ativistas que apoiam e divulgam o trabalho do Grupo Vitamóre. São poucos os que respeitam e acreditam em nosso trabalho, mas esses poucos pertencem a “nata” dos melhores e mais reconhecidos médicos/pesquisadores, nacionais e internacionais.

Estou desabafando por que, no mês de dezembro/2014, participei do Congresso Internacional de HTLV em São Paulo, onde conheci e fui abordada por médicos, estudantes e profissionais de saúde de todos os cantos do País. Então recebo e-mail de uma portadora de Maceió, pedindo ajuda para ela e o filho de 13 anos, outro de Manaus de um portador sintomático, querendo saber onde procurar atendimento, etc.

Onde estão aqueles profissionais que se mostraram tão interessados em ajudar, que não estão fazendo NADA em suas Cidades, que não estão multiplicando informações?

Cheguei a conclusão que eles só participam dos Congressos para acrescentarem mais um Certificado em seus Currículos Lattes, é mais uma página para os seus trabalhos de conclusão de curso (TCC).

Mas não vou perder as esperanças, a partir de 2015 vou inverter a situação. Eu irei atrás deles para pedir seus cartões e, posteriormente, refrescar a memória de cada um sobre o que conversamos nos Congressos.

Agradeço aos parceiros do Departamento Nacional de DST/AIDS e Hepatites Virais, por todo apoio dado ao Grupo Vitamóre. Estaremos juntos também em 2015!!

Aproveito a oportunidade para avisar que, a partir de fevereiro/2015, cobraremos R$150,00(cento e cinquenta reais) por palestra em Escolas, Comunidades, Universidades, Empresas, etc. O valor será para custear as ações do Grupo Vitamóre.

Abraços solidários

Sandra Do Valle

Utilização de nossas imagens e logomarca, para angariar fundos que nunca recebemos.

 

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