E o descaso continua sem nenhuma punição – Cadeirantes

Não posso me calar, ainda mais quando o assunto é “cadeirante”.

Ontem, assistindo a um programa na TV, juro que não me surpreendi com o caso contado. O que me surpreendeu foi o fato do próprio repórter que acompanhou toda a saga do cadeirante, não testemunhar a favor dele.
A história se repete. Um cadeirante precisa ir trabalhar, depende do transporte público e não consegue parar nenhum ônibus. O descaso e a falta de respeito dos motoristas é tão grande que, em determinado momento, o ônibus para e espera os passageiros descerem e, quando ele vê, pelo retrovisor, que o cadeirante está vindo em sua direção, ele simplesmente acelera e vai embora.
Isso aconteceu no Amapá, na verdade mesmo, acontece todos os dias, todas as horas em qualquer cidade. Semana passada mesmo, um amigo havia marcado uma reunião comigo, chovia muito, ele chegou com 2 (duas) horas de atraso porque não conseguia pegar um ônibus adaptado. Os que paravam diziam que o equipamento estava com defeito, outros passavam direto para não perderem tempo esperando o cadeirante entrar.
Aqui onde moro, a Viação Stº Antonio que faz a linha 39-Pirtininga/Niterói, tem mais da metade da frota em carros adaptados, lindosss!!! O difícil é encontrar um que esteja funcionando.  Já presenciei por várias vezes, o motorista avisar que “o elevador não está funcionando”…….  é terrível!!!!
No Amapá o rapaz processou a empresa de ônibus mas, perdeu a causa por falta de testemunhas, mas cabe recurso. A questão é, se ninguém testemunhou a favor dele, nem mesmo quem estava fazendo a reportagem, quem vai testemunhar agora?
Se todos os cadeirantes que ficam largados nas ruas pelo descaso dos motoristas de transportes coletivos e de empresas que não cumprem a Lei, movessem uma ação judicial cobrando Danos Morais, Constrangimento, Não cumprimento da Lei, e tantas outras infrações, isso ia mexer no bolso da máfia dos transportes coletivos e rapidamente o problema seria solucionado.
O que falta em nosso povo é coragem para dar o primeiro passo. Não podemos deixar que os “poderosos” nos subestimem, somos maioria. Nesse país, quem detém o poder é uma minoria, pois todos estão interligados ou seja, no mesmo “balaio de gatos”. Se o cidadão começar a cobrar das autoridades, seus direitos e respeito a sua condição, seja ela qual for, a coisa muda de figura.  Ficar dando entrevista, reclamando por cartinhas e coisas desse tipo, não adianta de nada. Agora, mexa na conta bancária de um deles!!!!!  Logo, logo procuram um acordo, fazem uma retratação, aceleram o processo e coisa e tal.
Filosofia de Advogado: “Mais vale um bom acordo do que um demorado processo”. Agora eu pergunto: …..mais vale para quem? Eu sou a favor de um demorado processo, é dinheiro em caixa.
Será que um dia o Brasil vai fazer valer o respeito aos portadores de alguma deficiência, sem que seja preciso brigar na justiça para isso???
Sandra do Valle
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